quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Certas ou Erradas



Sempre ouvi meus amigos dizerem que, enquanto não acharem a mulher certa, vão se divertir com as erradas. Andei pensando sobre isso. A gente conhece as mulheres certas e pensa que são as erradas, conhece as erradas e pensa que são as certas. No fundo, no fundo, a gente nunca sabe. Já vivi casos dos mais malucos e, acredite, não é nada fácil saber quem é a mulher certa e quem é a mulher errada. Eu mesma ainda não sei. O que eu sei é que eu já tenho algumas pistas bem claras. E continuo errando.

A mulher certa é aquela que quer te encontrar sábado à noite. Então ela fica com você (linda e cheirosa) na sua casa. A mulher errada quer ir pra melhor festa no sábado à noite. Com ou sem você. De preferência, sem. Agora, se ela te encontrar (por acaso) nessa festa, ela vai jurar, de pés juntos, que estava afim de te encontrar naquela noite. Vai ver não te ligou porque acabaram os bônus.
A mulher certa telefona pra você e faz o convite: vamos fazer alguma coisa hoje à noite? Ela quer sua companhia. Liga pro seu celular às sete da noite pra garantir que você não vai arrumar nenhum programa melhor do que sair com ela. A mulher errada te liga meia-noite e pergunta onde você tá. Claro, ela saiu e viu que a noite dela não ia dar em nada, então, resolveu te ligar. Muito provavelmente, você era o último número discado no celular dela. E, mais provável ainda: se você não atender, ela disca a próxima letra da agenda.

A mulher certa te chama por apelidos carinhosos. Você é a Ju. A Renatinha. A Carol. Ou a Mi. A mulher errada evita pronunciar seu nome em qualquer que seja a situação. Por razões óbvias: ela corre um sério risco de confundir seu nome com o de alguma outra baranga ou barango que ela pega. E, pra não confundir,  ela evita pronunciar seu nome a menos que seja estritamente necessário. Quando quer falar com você, as frases começam com “ow”, “aqui” ou “véi”. Aff.

A mulher certa quer te conhecer melhor. Pergunta sobre sua família, quer saber quantos irmãos tem. Quer saber dos seus valores. Do que você faz. Dos seus planos pro futuro. Dos seus objetivos na vida. A mulher errada quer saber a cor da sua cueca, ou se você vai levá-la pra sua casa.
A mulher certa diz que você está bonita com aquela camisa nova. Repara em você. Repara se você está com uma carinha triste. Se está feliz. Se está passando mal-quase-morrendo no meio da festa. Pergunta se você melhorou, no dia seguinte. A mulher errada nunca a elogia porque não repara em você. Não repara se você cortou o cabelo, se está com ou sem gel, se mudou o penteado.
E eu já não sei mais de nada. Se me divirto com as mulheres certas ou se insisto nas mulheres erradas. E acabo procurando princesas e beijando sapos. E beijando princesas que viram sapos. E preferia não saber de nada disso pra continuar me divertindo e dando risada. Ainda que de mim mesma. Ainda que dos meus tropeços. Das minhas mancadas. Das escolhas erradas. E até das mulheres erradas. Queria rir disso tudo. Mas simplesmente não consigo. Não consigo fingir que não é comigo. Porque sou eu que me ferro por achar que a mulher errada é a mulher certa. Ou por dispensar a mulher certa achando que era errada. Ou por fazer tudo errado. Sou eu que analiso, o tempo inteiro, as situações. As atitudes. Os mínimos detalhes que passariam despercebidos. Tentando fazer com que a mulher errada pareça a mulher certa. Tentando justificar, pra mim mesma, porque é que eu perco tanto tempo com aquela cidadã que não merece um minuto. Tentando achar defeitos na outra cidadã que merece a vida inteira. Tentando estabelecer rótulos do que é certo ou o que é errado ao invés de simplesmente viver sem tentar entender. Sabe de uma coisa? Vou me divertir sozinha mesmo enquanto não me encontro.

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