quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Conselhos



A gente tem uma mania estranha. Todo mundo tem. A mania de pedir e de dar conselhos. E lá alguém é capacitado pra dar conselho pra vida de alguém? Como se fosse um mestre espiritual. Um Dalai Lama. Nem assim. Nem assim estamos aptos a dar conselhos pra vida de quem quer que seja. Ainda que pro bem da pessoa que recebe o tão “estimado” conselho.

Tenho pensado muito nisso ultimamente. Especialmente porque estou tentando me adaptar à nova vida que escolhi pra mim. E essa nova vida se chama: minha vida é um livro fechado. Com cadeado. E protegido por senha alfa e código de segurança máxima. Não está sendo fácil. Até mesmo porque sempre fui muito transparente. Mas, agora, parei de contar minha vida e pedir conselhos. Não me interessam mais. Da minha vida, sei eu. Porque, se no final, der tudo errado, quem tem que arcar com o estrago sou eu mesma.

As pessoas pensam que conhecem as outras. Mas, na verdade, o que elas fazem, a todo tempo, é julgar umas às outras. Ainda que inconscientemente. O fato é que estamos 24 horas sob julgamento alheio. Seja dos nossos amigos, dos nossos colegas de trabalho, dos nossos ficantes, da nossa família, da atendente da padaria ao lado. As pessoas nos julgam o tempo todo. Nos julgam pela marca da roupa que nós vestimos.  Pelo tom da voz que a gente fala ao telefone. Pelo modelo do aparelho de celular que carregamos no bolso. Pela mochila. Pela empresa onde trabalhamos. Pelo cargo que ocupamos. Pelo nosso corpo. Pela cor da nossa pele. Pelo nosso sexo. Pela nossa idade. E por uma outra infinidade de coisas que não significam nada no final das contas.

Eu mesma conheço muita gente que anda de carro do ano (pago em sei lá quantas milhares de prestações) e mal tem dinheiro pra pagar as contas no final do mês. Conheço gente que ganha salário mínimo e usa calça Diesel. Conheço gente que tem o celular mais caro do mercado e não tem dinheiro pra manter uma linha telefônica. Conheço gente que fala manso e é pilantra. Conheço gente que fala alto e é um doce. Conheço gente nova que já viveu pra vida inteira. Conheço gente velha que ainda tem muito o que viver. Conheço mulheres que trabalham feito homens. E homens que não encaram uma barata no chão da cozinha (conheço inclusive homens que não encaram nada, mas isso é uma outra história). Portanto, vamos viver mais e julgar menos. Viver mais a nossa vida e nos preocupar menos com a dos outros. Vamos parar de colocar rótulo em tudo. De comprar o produto pela embalagem. De achar que sabemos de antemão quem é a pessoa com quem estamos tratando. Nunca sabemos. Nem nunca saberemos.

Então, por favor: não me dê conselhos. Tudo que você conhece de mim é a embalagem. Você não sabe o que vai aqui dentro. Não sabe o que eu já vivi. E, mesmo que eu te contasse, você nunca saberia, porque nunca sentiu por mim. Você não sabe o quanto eu gosto (ou não) daquela mina que você acha idiota. Então, não venha me dizer que ela não presta. Quem tem que saber disso sou eu. Quem sabe o tanto que é bom quando eu estou com ela sou eu. Não venha me dizer que fulana ou beltrana são os mulheres ideais pra mim. Porque, por incrível que possa parecer, eu não acho a mínima graça nelas. Não venha me dizer se eu devo trabalhar mais ou trabalhar menos. Gastar mais ou gastar menos. Beber mais ou beber menos. Sair mais ou sair menos. Comer mais ou comer menos. Comer carne ou não. Comer comida japonesa ou não. Ir pra festa X ou Y. Não me julgue pelo que eu faço, pelos lugares que eu freqüento ou pelas pessoas com quem eu me relaciono. Antes de me telefonar pra dar conselhos sobre quem “presta” ou “não presta” pra mim, preste mais atenção na sua própria vida. Se quer um conselho, não vou te dar. Acho que você deveria fazer o mesmo. Apenas acho.


 

Certas ou Erradas



Sempre ouvi meus amigos dizerem que, enquanto não acharem a mulher certa, vão se divertir com as erradas. Andei pensando sobre isso. A gente conhece as mulheres certas e pensa que são as erradas, conhece as erradas e pensa que são as certas. No fundo, no fundo, a gente nunca sabe. Já vivi casos dos mais malucos e, acredite, não é nada fácil saber quem é a mulher certa e quem é a mulher errada. Eu mesma ainda não sei. O que eu sei é que eu já tenho algumas pistas bem claras. E continuo errando.

A mulher certa é aquela que quer te encontrar sábado à noite. Então ela fica com você (linda e cheirosa) na sua casa. A mulher errada quer ir pra melhor festa no sábado à noite. Com ou sem você. De preferência, sem. Agora, se ela te encontrar (por acaso) nessa festa, ela vai jurar, de pés juntos, que estava afim de te encontrar naquela noite. Vai ver não te ligou porque acabaram os bônus.
A mulher certa telefona pra você e faz o convite: vamos fazer alguma coisa hoje à noite? Ela quer sua companhia. Liga pro seu celular às sete da noite pra garantir que você não vai arrumar nenhum programa melhor do que sair com ela. A mulher errada te liga meia-noite e pergunta onde você tá. Claro, ela saiu e viu que a noite dela não ia dar em nada, então, resolveu te ligar. Muito provavelmente, você era o último número discado no celular dela. E, mais provável ainda: se você não atender, ela disca a próxima letra da agenda.

A mulher certa te chama por apelidos carinhosos. Você é a Ju. A Renatinha. A Carol. Ou a Mi. A mulher errada evita pronunciar seu nome em qualquer que seja a situação. Por razões óbvias: ela corre um sério risco de confundir seu nome com o de alguma outra baranga ou barango que ela pega. E, pra não confundir,  ela evita pronunciar seu nome a menos que seja estritamente necessário. Quando quer falar com você, as frases começam com “ow”, “aqui” ou “véi”. Aff.

A mulher certa quer te conhecer melhor. Pergunta sobre sua família, quer saber quantos irmãos tem. Quer saber dos seus valores. Do que você faz. Dos seus planos pro futuro. Dos seus objetivos na vida. A mulher errada quer saber a cor da sua cueca, ou se você vai levá-la pra sua casa.
A mulher certa diz que você está bonita com aquela camisa nova. Repara em você. Repara se você está com uma carinha triste. Se está feliz. Se está passando mal-quase-morrendo no meio da festa. Pergunta se você melhorou, no dia seguinte. A mulher errada nunca a elogia porque não repara em você. Não repara se você cortou o cabelo, se está com ou sem gel, se mudou o penteado.
E eu já não sei mais de nada. Se me divirto com as mulheres certas ou se insisto nas mulheres erradas. E acabo procurando princesas e beijando sapos. E beijando princesas que viram sapos. E preferia não saber de nada disso pra continuar me divertindo e dando risada. Ainda que de mim mesma. Ainda que dos meus tropeços. Das minhas mancadas. Das escolhas erradas. E até das mulheres erradas. Queria rir disso tudo. Mas simplesmente não consigo. Não consigo fingir que não é comigo. Porque sou eu que me ferro por achar que a mulher errada é a mulher certa. Ou por dispensar a mulher certa achando que era errada. Ou por fazer tudo errado. Sou eu que analiso, o tempo inteiro, as situações. As atitudes. Os mínimos detalhes que passariam despercebidos. Tentando fazer com que a mulher errada pareça a mulher certa. Tentando justificar, pra mim mesma, porque é que eu perco tanto tempo com aquela cidadã que não merece um minuto. Tentando achar defeitos na outra cidadã que merece a vida inteira. Tentando estabelecer rótulos do que é certo ou o que é errado ao invés de simplesmente viver sem tentar entender. Sabe de uma coisa? Vou me divertir sozinha mesmo enquanto não me encontro.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Meu Mundo




Durante boa parte do meu dia, pensei no que iria escrever hoje no meu blog, e não conseguia pensar em nada. Mas eu tinha me esquecido de um mínimo detalhe... " Iria vê-la.
Cheguei em casa depois de um dia mega cansativo, me deitei no sofá, e sem querer comecei a pensar em você. Veio a sua imagem em minha mente, e comecei a pensar tantas coisas lindas, e é uma grande pena que não posso compartilhá-las com você.
Te ver hoje me fez tão bem, senti vontade de te abraçar e não te deixar ir embora, senti meu coração saindo pela boca, senti as pernas bambas, senti frio na barriga.
Queria que tudo estivesse acontecido de forma diferente, queria que eu tivesse capacidade de demonstrar o que eu sinto por você, queria que você acreditasse em mim, e também na minha mudança.
 Queria que o seu sentimento fosse ao menos metade do meu, que sua confiança em mim fosse metade da que eu sinto em você. Queria que você acreditasse que as coisas podem ser diferentes dessa vez.
As vezes as coisas têm que acontecer da pior maneira do mundo pra que a gente aprenda a tomar vergonha na cara e mudar de verdade, não apenas dizer que vai mudar e isso nunca acontecer.
Sei que você não acredita em nada do que eu te falo, mas eu prometi pra mim mesma que iria mudar por vontade própria, por amar de verdade uma pessoa que estou a um fio de perder pra sempre.
Dói saber que eu fiz tudo errado, que as coisas ruins que aconteceram pesaram muito mais do que as boas, dói saber que você já se acostumou com a minha ausência, dói muito mais saber que você já não quer voltar. Mas mesmo assim não irei desistir, tenho um sonho de ser feliz com uma MULHER de verdade, e eu sei que a única que realmente poderá me fazer feliz é VOCÊ!

Nunca se afaste de mim, não deixe que eu escape entre seus dedos, não deixe que a vida me arranque de seus braços e muito menos da sua vida.

EU TE AMO!


domingo, 28 de agosto de 2011

Emanuelle...



Antes de me tornar tia, não me preocupava se plantas eram venenosas, se remédios ou objetos perigosos estavam ao alcance das mãos. Jamais havia segurado uma criança para que pudessem dar vacinas. Ninguém nunca tinha vomitado em mim. Nunca havia sentido meu coração se estilhaçar por não poder parar uma dor. Nunca desejei que uma dor pudesse ser transferida de dono. Antes de me tornar tia, jamais rezei com tanta fé sobre alguém.
Antes de me tornar tia, ignorava a indispensabilidade de uma cadeirinha de bebê, de um velocípede com empurrador e a real função de uma chupeta.
Antes de me tornar tia, nunca reparei que móveis possuíam quinas. Nem sabia que existiam protetores de tomada e trecos para impedir que portas fechassem. Ignorava solenemente as seções infantis das lojas e zapeava indiferente pela Discovery Kids. Antes de me tornar tia, nunca tropecei em brinquedos de madrugada. Nas madrugadas, aliás, dormia tranqüilo, o que nunca mais fiz depois que me tornei tia.
 Antes de me tornar tia, nunca planejei tanto uma saída de casa: bolsa kit completo. Nunca percebi que há vários tipos de leite, de fralda, chupetas de vários números. Chicco, Lilica, Nuk, Fisher-Price foram definitivamente incorporadas às minhas grifes. Antes de me tornar tia, não sabia o que era mecônio, funchincória, colostro, absorvente de seio.
Antes de me tornar tia, eu julgava desleixados meus amigos com filhos e suas casas mal arrumadas, com paredes riscadas. O fazia por desconhecer a força de furacão de crianças descobrindo o mundo, mini-Katrinas devastadores.
 Antes de me tornar tia, nunca tinha sido mordida por dentes de leite ou beliscada por dedinhos com unhinhas afiadas. Ninguém nunca tinha me molhado de xixi. Jamais havia passado pela minha cabeça lavar uma bunda alheia. Ninguém nunca havia ousado limpar a boca na minha roupa e sorrir, na boa, como se nada tivesse acontecido. E eu nunca tinha ficado tão feliz por causa de um sorriso. Antes de me tornar tia, nunca havia criado histórias, a não ser para adultos e por outros motivos.
Antes de me tornar tia, achava que só eu poderia riscar meus livros. Acreditava que só se perdia trabalhos no computador se a energia faltasse. Desconhecia pequenas mãos exploradoras.

Antes de me tornar tia, tinha controle sobre meus desejos e pensamentos, sobre o meu corpo e meu tempo. Eu nunca tinha segurado um bebê dormindo a noite inteira só para ficar bem pertinho. Nunca havia paranoicamente checado no meio da noite se alguém estava respirando. Nunca imaginei que algo tão pequeno pudesse mudar minha vida de modo tão forte. Não conhecia a sensação de ter meu coração batendo fora de meu peito.